quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Ellen

 by Alam Arezi

Caminhando pelas ruas, sozinha como de costume, sinto a brisa me tocar e me guiar. O barulho dos meus passos no chão molhado, as luzes ofuscando minha visão turva de tanta solidão... Era difícil admitir que só estivesse à procura de sexo, um dos meus vícios sórdidos... Encostado na parede um homem pálido com a aparência funesta, lábios vermelhos e olhos azuis, minha mente em conflito e aquela imagem esguia que estava me seduzindo, não precisei de nenhum esforço para que ele viesse até mim, em uma voz rouca disse:

- O que procuras?

Sem pensar muito respondi:

- Não sabia ao certo o que procurava, mas quando te vi tive certeza que encontrei.

Continuamos caminhando, agora quem me guiava era ele... Relutando para não perguntar onde estávamos indo, e ele percebendo falou:

- Estamos indo ao paraíso. -Soltou uma gargalhada e me olhou - Não se preocupe, estamos chegando!

A única coisa com que não me preocupava naquele momento era isso, se já estávamos chegando ao nosso destino. Acendi um cigarro, e suspirei sutilmente sua fumaça para dentro de meus pulmões, era inevitável não demonstrar minha aflição, não estava a fim de muito papo, queria mesmo é que ele me tocasse e me penetrasse com violência. Resolvi demonstrar mais o meu desejo por ele, o coloquei contra parede, desabotoei sua calça e comecei massagear seu pênis, do qual para minha surpresa já estava ereto, beijei sua boca como nunca havia beijado alguma antes, senti uma de suas mãos acariciando meus seios, e a outra estava enrolada em meus cabelos, num tom ofegante ele disse:

- Acalme-se, já chegamos. Eis aqui meu paraíso.

Passamos por um extenso corredor, quando paramos em frente à porta, em um movimento brusco ele arrancou um molho de chaves do bolso de seu paletó.

- Entre, está um pouco bagunçado... Minha secretária sumiu, ou desistiu de limpar minha sujeira.

Livros e garrafas de vinho espalhadas pelo chão, quadros por todas as paredes do apartamento, mas um deles me chamou mais atenção, uma tela com minha imagem... Indaguei-o:

- Já me conhecia? - E ele falou: - Não, havia sonhado com essa imagem por varias noites e então resolvi pintá-la. Se sente incomodada com isso? -
Eu não sabia o que falar e também aquilo não era prioridade no momento, então me aproximei e tirei seu paletó, ele foi logo tirando os sapatos e meias, me puxou e começou a me despir. Suas mãos tocavam minha genitália com suavidade, como se estivesse tocando piano, logo começou a chupar meus seios rijos e me conduziu até o quarto. Estávamos os dois nus, sua barba roçava em meu pescoço fazendo-me ficar mais excitada, suas mãos agora em minhas nádegas movimentando-as para cima e para baixo e, em um instante, eu já estava algemada na cama. Quando ele deitou seu corpo sobre o meu e me penetrou, eu estava tão feliz com aquele momento que nada mais existia naquele lugar, só meu corpo, ele e a cama.

O ritmo aumentava cada vez mais, senti o primeiro orgasmo chegar, foi quando me transformei em um animal urrando de tanto prazer, então ele tirou as algemas e me colocou de quatro na cama, agarrou meu quadril e me encaixou novamente, pegou nos meus cabelos inclinando minha cabeça. Pude sentir milímetro a milímetro de seu pênis entrar em mim, sua mão estava massageando meu clitóris em movimentos circulares e logo senti outro orgasmo chegando, era cada vez mais intenso e prazeroso, senti um líquido quente escorrendo pelas minhas pernas e agora quem gritava era ele, que balbuciava palavrões enquanto jorrava seu esperma.

Ele deitou na cama puxando um cigarro que estava em cima do criado mudo, e finalmente perguntou:

- Como é seu nome moça dos meus sonhos? - Então o respondi:

- Ellen, e o seu misterioso rapaz?

- Chris... Chris Amarante, prazer! – Ironicamente disse:

- Te garanto que o prazer foi todo meu.

Enfim ele adormeceu isso já não me ofendia mais, virar pro lado e dormir depois de um transa pra mim era comum, eu como sempre esperava esse momento ansiosamente pra poder ir embora sem deixar rastros.

Chegando em casa, fui direto tomar uma ducha, estava exausta, pois o caminho era longo, acendi outro cigarro enquanto me despia, liguei o radio e estava tocando: “Lucy in the sky with diamonds – Beatles”, comecei cantarolar e pensar no retrato meu que havia na casa dele, seria uma mera coincidência, ou algum tipo de aviso? Ele realmente havia mexido comigo, mas não gosto de prolongar relacionamentos, sou apenas uma caçadora de sexo e não costumo me envolver com as pessoas profundamente, então resolvi terminar o banho e ir me deitar, pois tinha que trabalhar na manhã seguinte.

Pontualmente às sete da manhã meu relógio despertava e eu freneticamente começava minha rotina, tomava meu café e saía correndo até o ponto de ônibus, trabalhava em uma livraria, era um lugar muito movimentado e como distração ficava observando as pessoas que passavam por lá. Meu trabalho não era difícil, cuidava do caixa e atendia ao telefone, não ganhava muito bem, suficiente para me manter viva, meus pais moravam em uma cidade do interior e me ajudavam com algumas despesas.

Do trabalho ia direto a faculdade, mal tinha tempo para me alimentar direito e então sempre antes de entrar na aula passava em um barzinho que havia ali por perto e comia qualquer bobagem, um local onde era freqüentado por universitários, um grande ponto estratégico para minha caça noturna, já havia feito sexo com a minha turma inteira e boa parte dos outros estudantes, mas sempre descobria algum que ainda não havia atacado.
Já sala de aula ficava admirando o charme de um dos meus professores, ele tinha uma voz penetrante que me estimulava sexualmente e então o escolhi como minha vitima da noite. Esperei-o no estacionamento encostada em seu carro, quando ele chegou ficou surpreso e logo me perguntou:

- O que faz ai Ellen? – Com um sorriso sacana em seus lábios. Percebi seu interesse fui logo ao ponto e disse:

- Te escolhi pra essa noite. – Todos sabiam da minha fama então deixei bem claro o que queria. Ele logo respondeu:

- Quanta honra, achei que esse dia nunca fosse chegar! – Ele foi logo abrindo a porta do carro para que eu entrasse. A caminho de um lugar qualquer, trocamos algumas palavras sem muita relevância, e então na estrada vi um grande letreiro que dizia “MOTEL”. Ele foi logo estacionando e logo desembarcamos.

Chegando ao quarto que como sempre era vermelho com luzes baixas que quase não iluminavam, ele foi logo tirando sua roupa e dizendo:

- Não posso me demorar, minha esposa vai desconfiar.

- Tudo bem então, pode começar a hora que quiser!

Eu estava com uma cinta-liga preta, isso aparentemente o deixou muito excitado, então ele me agarrou com força e começamos os preliminares. Ele realmente era muito experiente e sabia como agradar uma mulher, chupava meu grelo como se estivesse chupando uma laranja, não pude evitar um orgasmo logo de cara, um de seus dedos percorria a minha região anal, ele parecia ter vontade de me desbravar toda e então o deixei que penetrasse seu indicador em meu anus com um movimento de vai e vem com a língua e com o dedo, logo não agüentei de tanto desejo e pedi que colocasse o seu pênis em minha vagina, ele ficou em pé e me encaixou contra a parede, enquanto ele metia, lambia os meus seios e algumas vezes os mordia, estava cada vez mais surpresa com o seu desempenho, suavemente me deitou na cama de bruços e pediu para que ficasse de quatro para que ele pudesse foder meu anus. Não foi preciso nenhum tipo de lubrificante pois estava muito excitada, ele começou a ficar violento como eu gostava, dava palmadas em minhas nádegas, gemia como uma criança com dor e finalmente ele gozou. Fui até o banheiro e retoquei a maquiagem, já estava vestida e voltei até o quarto, ele estava vestido também. Pedi para que me deixasse perto da faculdade, não gostava que me levassem até em casa, poderiam me procurar e não queria que isso acontecesse.

Abri a livraria no dia seguinte e para minha surpresa havia um recado na secretária eletrônica (coisa que não era muito comum), resolvi ouvi-lo:
“Olá Ellen, não vi a hora que você foi embora, a única coisa que encontrei de ti foi esse cartão da livraria em que você trabalha, desculpe se estou te incomodado, eu gostaria muito de te ver novamente, onde posso te encontrar? Vou deixar o meu telefone caso esteja interessada... Beijos Chris!”.

- Como pude falhar assim? Como pude deixar cair justo o meu cartão? Eu sou uma tola! – Resmunguei comigo mesma. - E agora, tenho que confessar que sinto uma enorme vontade de vê-lo de novamente, mas ai estaria quebrando minhas próprias regras. O que vou fazer agora?

Fiquei pensando o dia todo no telefonema, eu queria muito ligar pra ele, mas decidi que não era o momento certo para isso, então continuei com meus afazeres. O dia passou rapidamente e já estava quase na hora de ir para a faculdade. Eu estava muito cansada e então resolvi ir direto para casa.
Antes de entrar no meu apartamento resolvi passar na casa de uma amiga minha para conversarmos e quem sabe tomar um café. Toquei a campainha e ela atendeu a porta e, em seguida, ao entrar lá, a cumprimentei com um leve beijo em seus lábios e disse:

- Ana minha querida, como está? - Ela sorriu e respondeu:

- Ah, ando com alguns problemas e você já deve saber quais são não é?

Sim eu já sabia qual era o seu problema e ele se chamava Adam – Homem. Não havia muito o que se dizer sobre isso e acabei mudando de assunto.

- Como está o seu trabalho Ana? Soube que precisam de mais uma menina para ajudar, isso é verdade? Estou querendo sair da livraria, o que eu ganho é uma mixaria mal consigo me alimentar. – Sorri mentirosamente

Ana trabalhava em uma casa noturna como dançarina e se prostituía também, faturava uma boa grana, fora as gorjetas que eram muito generosas. Me interessava muito um trabalho assim, iria unir o útil ao agradável. Ela respondeu:

- Sim, estamos precisando de mais uma garota, mas não acho que seja uma boa idéia você trabalhar lá, você sabe como Adam é, e ele vai começar a fazer com você o que faz comigo; eu não quero isso para você Ellen. Preocupo-me contigo, você sabe que eu te amo e quero só o seu bem. – Nada faria com que ela tirasse essa idéia de minha cabeça, pois só estava pensando no prazer que iria obter com isso e também, na relutante maneira de sumir da vida de Chris. Mas, para não deixá-la mais chateada resolvi não tocar mais no assunto... Eu sabia que o emprego já era meu.

Ana foi até a cozinha e preparou um café, enquanto isso na sala eu acendi um grande baseado, dei uma tragada e como sempre me afoguei, ela logo sentiu o cheiro e sentou-se ao meu lado e pegou o baseado da minha mão. Juntas nós fumamos toda a erva e depois, ao som de todo o álbum de “The Dark Side of the Moon”, transamos como de costume... Sem amor, sem compromisso. Sem amanhã.

( http://contosmarginais.blogspot.com.br )

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